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III Simpósio Internacional de Trauma

Local: São Paulo/SP
Data: 28-29 julho 2017
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Mais informações: 11 2661-6335
Contato: anestesia.cursos.ichc@hc.fm.usp.br


47th World Congress of Surgery 2017

Local: Basel, Suíça
Data: 13-17 agosto 2017
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VIII Congresso Brasileiro de Cirurgia do Fígado, Pâncreas e Vias Biliares

Local: Porto Alegre/RS
Data: 7-9 setembro 2017
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Curso Advanced Surgical Maneuvers in Trauma (ASMT)

Local: Miami, EUA
Data: 10-12 setembro 2017
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I Congresso Paulista de
Cirurgia do Trauma
da SBAIT-SP

Local: Hotel Sheraton WTC, São Paulo/SP
Data: 05-07 outubro 2017
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O principal objetivo será a valorização da cirurgia do trauma como especialidade. Veja o: vídeo convite.
Contato: secretaria@sbait.org.br



História da SBAIT

Anos 70

Embora se constituísse em um dos grandes problemas de saúde do Brasil, a assistência ao trauma ficou relegada a um plano totalmente secundário até meados da década de 70. A semelhança com o que havia ocorrido em outros países, na época o trauma era visto mais como um problema policial e médico-legal do que como um problema de saúde pública.

Não é por acaso que as violências não intencionais são conhecidas, até os dias de hoje, como “acidentes”. Pois bem, na década de 70, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo, o destino quis que se reunisse um grupo de médicos de diferentes especialidades que, pelas mais diversas razões, atuavam como plantonistas no Pronto Socorro. Entre eles havia cirurgiões, ortopedistas, neurocirurgiões, anestesistas e intensivistas. Eu era um deles.

Em 1973, na qualidade de International Guest Fellow do Colégio Americano de Cirurgiões, havia passado alguns meses nos Estados Unidos, visitando serviços de emergência de vários hospitais universitários, sendo recebido por destacados professores de Cirurgia e cirurgiões que haviam despertado para o significado médico e social do trauma e começavam a investir no aprimoramento da assistência às vítimas e na pesquisa clínica e experimental voltada para este campo. Influenciados pelo crescente interesse e entusiasmo que o atendimento ao trauma estava começando a despertar na Europa e nos Estados Unidos e motivados pelo desafio de aprimorar o atendimento às vítimas em nosso País, começamos a debater o tema e a interagir.

As visitas conjuntas aos traumatizados mantidos em observação na Sala de Admissão ou internados na Unidade de Terapia Intensiva do Pronto Socorro não apenas estreitaram os laços que nos uniam, mas, e principalmente, nos conscientizaram da integração que deveria existir entre os profissionais responsáveis pelo atendimento e da necessidade de adotar condutas padronizadas em atenção a prioridades que estavam sendo delineadas cada vez mais claramente.

Neste período, o apoio e o incentivo de alguns professores de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo foram cruciais.


Anos 80

Merece destaque o nome de Mario Ramos de Oliveira. Coincidentemente, em 1980, foi lançado, nos Estados Unidos, o programa de suporte avançado de vida em trauma, o Advanced Trauma Life Support – ATLS®, cujos conceitos fundamentais abriam novas perspectivas, derrubando barreiras que, até então, separavam as diferentes especialidades.

Docentes e colegas vinculados a outras escolas médicas, notadamente à Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, aderiram ao processo de planejamento destinado a criar mecanismos para superar as dificuldades existentes.

Durante o ano de 1981, a criação de uma sociedade de âmbito nacional que reunisse todos os profissionais envolvidos no atendimento global ao traumatizado, médicos, enfermeiros, socorristas e outros, começou a ganhar corpo. Em 15 de janeiro de 1982, no teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado – SBAIT nasceu formalmente (veja Ata da Fundação).

A primeira diretoria foi integrada por mim, na qualidade de Presidente, por José Thales de Castro Lima (cirurgião e intensivista) e João Gilberto Camanho (ortopedista) como Vice-Presidentes. Vanildo João Kaupert (neurocirurgião) foi indicado como Secretário Geral, assessorado por Milton Roberto Lucchesi (anestesista) como 1º Secretário e Samir Rasslan (cirurgião) como 2º Secretário. Joel Carlos Cunha (cirurgião) assumiu o cargo de 1º Tesoureiro e Adoniran de Mauro Figueiredo (cirurgião) como 2º Tesoureiro.


Anos 90 e em diante

A primeira sede foi no meu consultório, à Rua Dr. João Pinheiro nº 117. Desde então, passaram-se 22 anos. Depois de um período inicial de amadurecimento e de consolidação, a partir de 1995, sob a liderança de Renato S. Poggetti e, posteriormente, de Mario Mantovani, a SBAIT alcançou sua maturidade. Hoje, já reconhecida tanto no Brasil como no exterior, a Sociedade é presidida por Domingos André F. Drumond, um cirurgião mineiro com vasta experiência em trauma, discípulo de Wilson Abrantes, um dos maiores nomes nacionais em cirurgia de emergência e trauma.

Neste período, profissionais de outras escolas médicas, de outras cidades e de outros estados foram progressivamente sendo integrados à sociedade. Seu número, no momento, é de várias centenas, mais de 600, distribuídos pelo País. Hoje a Sociedade tem Capítulos em cinco estados e há vários em implantação. Nos últimos dez anos, várias iniciativas foram tomadas sob a égide da SBAIT.


Iniciativas e Objetivos

Além de um Congresso que reúne profissionais de diferentes especialidades e que aborda temas que vão desde a prevenção até a reabilitação passando pelo atendimento pré-hospitalar e hospitalar, a SBAIT promoveu, em comunhão com outras sociedades médicas, iniciativas de grande impacto como vários programas de atualização e reciclagem no atendimento ao traumatizado, a Semana do Trauma e as simulações do atendimento de desastres.

Como resultado destas iniciativas, foram montadas aulas para profissionais de saúde e para o grande público destinadas a divulgar o problema e a propor soluções, foram publicados textos e produzidos programas de treinamento que foram disponibilizados gratuitamente a milhares de usuários.

O “Manual de Treinamento no Atendimento a Desastres”, publicado em setembro de 2000 em colaboração com o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e os Corpos de Bombeiros do Brasil, é um exemplo deste trabalho. É óbvio, entretanto, que foram dados apenas os primeiros passos e que uma longa caminhada nos espera. Cabe-nos o trabalho de investir incansavelmente em várias frentes que podem ser reunidas em duas linhas mestras de ação: de imediato, o aprimoramento do atendimento ao traumatizado; a médio e longo prazo, a luta para que se implantem medidas voltadas para o controle desta endemia que assola o País.

Para alcançar os objetivos contidos na primeira linha de ação, é fundamental que conhecimentos a respeito do tema sejam oferecidos obrigatoriamente a estudantes de Medicina e de Enfermagem e de outros profissionais de saúde nos cursos de graduação e que programas de pós-graduação lato sensu, como residência médica, além de cursos de atualização e reciclagem, sejam disponibilizados para médicos, enfermeiros e outros profissionais interessados. Que seja de meu conhecimento, no momento, em janeiro de 2004, existem no Brasil, que possui uma centena de Escolas Médicas, apenas quatro ou cinco nas quais foi instituída, formalmente, uma Disciplina de Cirurgia do Trauma. A criação de outros núcleos universitários incentivaria o desenvolvimento de pesquisas epidemiológicas, clínicas e experimentais capazes de beneficiar não apenas as vítimas do trauma, mas também uma legião de doentes de outras áreas cirúrgicas e clínicas.

Para mencionar apenas alguns exemplos, lembre-se que foi graças ao atendimento prestado a feridos de guerra ou a traumatizados na vida civil que se tornou possível entender melhor a etiopatogenia e a fisiopatologia e aprimorar o tratamento de situações como a síndrome do esmagamento, a insuficiência renal aguda, a embolia gordurosa, a insuficiência respiratória aguda e, mais recentemente, a síndrome da resposta inflamatória sistêmica e as disfunções de múltiplos órgãos e sistemas. A compreensão da fisiopatologia do choque hipovolêmico e de seu tratamento, o desenvolvimento e o uso de soluções de reposição cristalóides e colóides e, mais recentemente, de substitutos do sangue exemplificam outras áreas nas quais a assistência ao trauma teve um tremendo impacto.

As perspectivas de investigação abertas pelo modelo trauma são infinitas. O que é necessário é criar condições para que profissionais competentes a ele se dediquem. A SBAIT pode ter um papel determinante para que tais mudanças ocorram. Há outra frente de potencial ação do maior significado. É imprescindível, de fato, que se criem condições para que o profissional treinado seja reconhecido pela própria classe médica e pela sociedade, que adquira seu “status”, possa trabalhar em condições adequadas e seja remunerado de forma digna. Neste sentido, uma série de questões deve ser analisada com ponderação e respondida com clareza, levando em conta a realidade social, econômica e cultural do País e de seu povo. Afinal, quais são os limites da Cirurgia do Trauma? Quais suas relações com as especialidades cirúrgicas já consagradas? Como formar adequadamente um profissional competente? E qual o mercado de trabalho que o espera?

A resposta a estas e a outras questões desta natureza só pode ser dada através de discussões amplas, de debates conduzidos de forma adequada, por profissionais maduros, de visão crítica, dispostos a negociar soluções viáveis e socialmente aceitáveis e que estejam vivendo o problema.

Neste sentido, e mais uma vez, a presença da SBAIT e a participação de seus representantes são essenciais.

Quanto ao segundo objetivo, o controle do trauma, devemos trabalhar no sentido de promover, direta e indiretamente, a educação da população e de conscientizar nossas lideranças políticas e administrativas para que viabilizem a implantação de mecanismos legais que permitam coibir a violência intencional e não intencional e reduzir suas vítimas. Iniciativas como a Semana do Trauma devem ser mantidas e ampliadas, por seu poder de impacto no esclarecimento do grande público.

A mídia, por seu imenso potencial, deve ser motivada a participar. O tema é extremamente complexo, pois as raízes desta endemia, do trauma, são profundas e diversificadas e ultrapassam, de longe, os limites da medicina.

Profissionais de outras áreas, como epidemiologistas, educadores, cientistas sociais, psicólogos, engenheiros, jornalistas, para mencionar apenas algumas, além de entidades governamentais e não governamentais devem ser envolvidos maciçamente na discussão do tema e na formulação de soluções. O desafio é gigantesco, mas a SBAIT pode, e deve, ter um papel de destaque em ambas as frentes como agente catalisador desta grande revolução.


Dario Birolini
Professor de Cirurgia do Trauma
Departamento de Cirurgia - Faculdade de Medicina da USP
2004